sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLV)



Este é o primeiro fim de semana de Outono. Esta a canção ideal para os últimos beijos de Verão.
Boa noite e tenham um excelente fim de semana

Pimenta no cú dos outros é refresco?

Leio nos jornais:
"Manobras militares russas na fronteira da NATO geram medo na Europa e lançam especulações sobre intuitos dos russos"
E as manobras militares conjuntas das tropas americanas, japonesas e sul coreanas, junto à Coreia do Norte e China, geram o quê? Alívio?

Para mim (não) vens de carrinho...




Assinala-se hoje mais um Dia Europeu sem Carros.
Longe vai o tempo em que o dia era encarado de forma séria. Actualmente, no DESC continuamos a ver automóveis  estacionados em transgressão,  a invadir o espaço de peões, ou a expelir veneno (CO2 é mesmo venenoso) para a atmosfera, perante a maior indiferença dos cidadãos.
Nada há mais degradante numa cidade do que o espectáculo de automóveis a circular em zonas pedonais, ou  estacionados em cima de passadeiras e passeios, numa manifestação brutal de desrespeitos pelos cidadãos.
Os leitores que me acompanham há mais tempo sabem que há muitos anos sou defensor da introdução de portagens  nas grandes cidades e posterior proibição da circulação automóvel, pelo menos nos centros históricos.
Tenho sido alvo de algumas críticas por teimar nessa medida mas sempre respondo da mesma forma: a circulação condicionada já é uma prática  habitual em muitas cidades do mundo, nomeadamente na Europa pelo que, mais tarde ou mais cedo, Lisboa e Porto serão obrigadas a tomar idêntica medida, para preservar a saúde de  quem vive e trabalha nas duas cidades.
Devo dizer que hoje estou ainda mais convencido de que esse dia está cada vez mais perto.
 Para já, 11 cidades europeias decidiram proibir a circulação de automóveis a gasóleo  anteriores a 2014. É apenas um primeiro passo a que por cá ninguém parece dar importância. 
Lembro, porém, que embora 2025 seja a data de proibição  apontada pela maioria das cidades, algumas adoptarão a medida  já a partir de 2019.
Enquanto em Portugal o assunto ainda não se discute, outras medidas para descongestionar o trânsito nas nossas cidades estão a ser debatidas  durante a campanha autárquica. A mais importante será a da mobilidade partilhada. Em breve, a introdução da partilha automóvel será uma realidade, pelo menos em Lisboa e Porto. Estou curioso em saber se esta ideia terá sucesso num país onde as pessoas olham para o automóvel como o prolongamento do seu próprio corpo.
A mobilidade partilhada, porém, não resolve o problema do trânsito asfixiante. Apenas o atenua. Medidas mais assertivas terão de ser tomadas. A pressão sobre o ambiente está a tornar a vida nas cidades  insustentável e, a breve trecho, a circulação automóvel terá de ser drasticamente limitada. 


quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLIV)


Em jeito de despedida de Verão, deixo-vos com Yves Montand e "Les feuilles mortes"
Boa noite!

Assunção Cristas manda um piropo a Medina

Uma das bandeiras de Assunção Cristas na campanha eleitoral tem sido o trânsito. Incomodada com as longas filas e engarrafamentos, a líder do CDS não propõe medidas para retirar automóveis do centro da cidade, mas insurge-se com o que  apelidou de " Hora Medina".
Mas o que é afinal a "Hora Medina"?
Segundo  Cristas, é "A Hora de Ponta Constante".
Não sei quais são os conhecimentos de Assunção nesta matéria, mas Fernando Medina terá certamente ficado agradado com o elogio da sua adversária na corrida à presidência da câmara de Lisboa.

Son espanyols, son españolitos



A Catalunha quer fazer um referendo para que os catalães  digam se querem a secessão, ou manter-se sob a soberania de Castela.
Madrid não quer que os catalães manifestem a sua vontade por isso exerce represálias contra o governo catalão democraticamente eleito e que, supostamente, está a cumprir a vontade popular.
Rajoy manda suspender o envio de dinheiro para Barcelona  e prende dirigentes  catalães alegadamente envolvidos na organização do referendo.
Se isto se passasse na Mongólia, no Tibete, ou numa qualquer província russa, a imprensa ocidental apontaria, em uníssono, o dedo acusador a Pequim ou a Moscovo, acusando os governos daqueles países de estarem a oprimir o povo.
A secessão, porém, ocorre dentro das fronteiras da UE, pelo que a cachorrada sai em defesa de Castela e aponta o dedo acusador aos energúmenos esquerdistas catalães, que andam a enganar o  povo.
Todos sabemos que a independência da Catalunha, a concretizar-se, terá o efeito de bola de neve, servindo de incentivo a outros  movimentos separatistas europeus.
A geografia europeia alterar-se-á  drasticamente  ( como aconteceu a Leste no inícios da década de 90 do século passado), a economia sofrerá um forte revés  e o equilíbrio será profundamente afectado.
Tudo isto é verdade e parece perigoso, mas não menos arriscada para a Europa  está a ser a  posição de força de Castela.  Até porque pode, igualmente,  desencadear o efeito dominó nos movimentos separatistas de outros países europeus, mas também em Espanha.
Seria aconselhável que o governo de Castela ponderasse antes de tomar qualquer decisão de consequências imprevisíveis. Neste momento já terá ido longe demais, mas ainda está a tempo de corrigir o tiro.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLIII)

E porque está quase a terminar...
Boa noite!

A justiça portuguesa e a mulher de César

Todos nos lembramos que no caso dos submarinos houve acusados e condenados na Alemanha e na Grécia, mas a justiça portuguesa não encontrou indícios da existência de corruptos e corruptores em Portugal. Toda a gente considerou estranho, mas o assunto morreu.
Há dias ficamos a saber que o MP não encontrou quaisquer indícios de corrupção no caso Tecnoforma e mandou arquivar o processo.
Opinião diferente é a do  Organismo Europeu  da luta anti fraude  que, a pedido do MP português analisou a actividade da TECNOFORMA e o destino que a empresa deu a mais de 3 milhões de euros: há indícios evidentes de fraude, nomeadamente no acesso aos fundos comunitários- conclui o relatório do OELAF.
Lê-se, abre-se a boca de espanto, fica-se incrédulo, com um sentimento de impotência e a sensação de que a Matemática devia ser disciplina obrigatória no CEJ. Passado o estupor interrogamo-nos: se era para mandar arquivar, por que razão se gastou dinheiro a pedir um parecer? 
É que perante as conclusões do OELAF e o consequente arquivamento ordenado pelo MP, vem-me logo à cabeça a história da mulher de César!
Sugiro aos leitores que sigam o link e tirem as suas conclusões. Espero que sejam  mais  tolerantes e menos insidiosas do que as minhas. 
Eu só queria que em Portugal a Justiça fosse JUSTA e que quem julga e aprecia os casos não deixasse constantemente no ar a sensação de que a visão ideológica  se sobrepõe à  OBJECTIVIDADE  na hora de decidir e julgar. 
Se seguirem o link, perceberão facilmente as razões das minhas dúvidas. 

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLII)


Desde ontem que sou assaltado por memórias da  "Maison où j'ai grandi" e esta canção  da mulher que me fazia companhia na sala onde estavam os aquários com peixinhos,veio por arrasto
Boa noite!

A vida como ela é...

Juro que quando fui apanhado numa das inúmeras armadilhas da maravilhosa ( para quem gosta de andar sempre com os olhos no chão ou apenas a vê de longe) calçada portuguesa, não estava  a pensar na patética intervenção de Cavaco Silva na Universidade de Verão do PSD. 
Nem me embrenhara na análise psicológica de um dos discursos tresloucados de Passos Coelho, na vã tentativa de tentar compreender o seu transtornado perfil psicológico.
 Tampouco ia a remoer os resultados dos últimos exames médicos que confirmaram o agravamento do meu estado de saúde e a sua irreversibilidade.
Por estranho que vos pareça, enquanto caminhava pela Avenida pensava  - até ao momento em que uma falha na calçada me provocou a queda - nas maravilhas desta vida, em tudo de bom que ela me proporcionou e a relembrar a forma entusiástica  como o médico, perante a forma serena como estou a encarar a fase final da minha vida,  apoiou a minha ideia de ir, uma última vez, até à Argentina.
Foi no momento em que me precipitei no solo e os livros acabados de comprar na Bertrand se espalharam pelo chão, que regressei ao mundo real e me confrontei com a realidade.
Ao passar por mim, uma jovem brasileira aparentando estar a gozar momento de pausa  no trabalho do lupanar, olhou para mim estendido no chão a sangrar e, sem se deter, atirou:
- "Tudo bem?  Precisa ter cuidado, meu bem!"
Não tive tempo para reagir, nem para me revoltar, pois logo de seguida uma velha "made in Avenidas Novas" asseverou:
- " Você já não é o primeiro a cair aí. Apresente queixa na Câmara, porque a culpa é deles".
Tal como a jovem brasileira, seguiu em frente depois de debitada a sentença.
Eu não cheiro mal, não estava andrajoso (até ia bem vestidinho, porque vinha à cidade) não estava embriagado, porque não bebo, e, apesar de estar magérrimo  o meu aspecto  continua a não denunciar a doença que me afecta. No entanto, devem ter passado por mim umas 20 pessoas, antes de alguém se disponibilizar a prestar-me ajuda. 
Sem forças para pedir socorro, fui salvo por uma senhora que passava com o filho e se abeirou de mim perguntando se queria que chamasse uma ambulância. Acenei que sim e enquanto o filho ligava para o INEM, ela foi comprar uma garrafa de água que, extremosamente, me deu a beber.
Quando me meteram na ambulância, pareceu-me estar a entrar no Paraíso. Acabara de ser libertado da selva em que Lisboa se transformou. Uma cidade de pacóvios mal educados e sem maneiras que vieram das berças, não sabem comportar-se à mesa, arrotam no fim das refeições, peidam-se nas salas de cinema  e esqueceram a solidariedade. Fascinados que estão com a vida na capital, tornaram-se animais de duas patas. Trocaram a carroça por um Renault clio e, pendurados em telemóveis e copos de gin acompanhando sushis, sentem-se os Reis da Selva. E realmente, são.
Pessoalmente, não tenho pena de deixar esta selva. Esta cena mostrou-me a vida como ela é. Cada vez mais desinteressante e selvagem, regida pelas leis do salve-se quem puder e do Eu, Lda. 
Mãe e filho que me acudiram, por acaso, são do Porto. Estavam em Lisboa de passagem e fizeram questão de me acompanhar ao Hospital, de onde só saíram quando souberam que estava tudo bem comigo.
Nota: o título é uma homenagem a Nelson Rodrigues, mas dedico este post em especial aos leitores e leitoras que têm um ódio visceral ao Porto e acham que os nortenhos são todos nharros e imbecis.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Memórias em vinil (CCXLI)

Começo esta semana com uma memória que não dirá muito a quem não é apaixonado pela música francesa.
Como sabem eu sou e, por isso, não me poderia escapar este "Un homme heureux".
Boa noite e boa semana

domingo, 17 de setembro de 2017

Dia do Bilhete Postal Ilustrado (71)

Este postal de Singapura foi enviado pelo Pedro Coimbra, um dos  "resistentes" da blogosfera, que continua a ser visita assídua do CR.
Em matéria de trabalho, Singapura foi o meu primeiro destino oriental. Ainda hoje sinto um certo fascínio ao recordar os tempos que lá passei.
Não foi, porém, o único postal enviado pelo Pedro para aquele desafio. Enviou outro de um país asiático que adoro, de um local onde passei belíssimas férias. 
Para saberem qual foi o país e lerem os textos que o Pedro escreveu, terão de ir até aos Devaneios a Oriente. Uma viagem muito agradável que muitos dos leitores do CR fazem regularmente, sublinhe-se.
E se forem lá amanhã, são bem capazes de soltar umas belas gargalhadas. Excelente tónico para iniciar a semana, não vos parece?