domingo, 23 de abril de 2017

Dia do Postal Ilustrado (50)

 

Como ontem vos disse, ausentei-me por uns dias. É a primeira vez que saio do país desde que foi diagnosticada a minha doença em Julho de 2015. Há quase dois anos, portanto. 
Não querendo interromper esta série, envio-vos um postal bastante actualizado da cidade onde vim passar uns dias. 
Fiquem bem. Até breve. 

sábado, 22 de abril de 2017

Memórias em vinil ( CXIV)





Vou deixar-vos durante uns dias, mas continuarei a  trazer-vos "Memórias em vinil" para vos dar as boas noites, durante a minha ausência. Também ficarão alguns posts agendados.
A forma mais apropriada que encontrei para vos dizer que espero encontrar-vos por aqui quando voltar, foi trazer Jacques Brel com esta canção imortal.
Fiquem bem e... "Ne  me quite pas"

Sporting-0 Benfica-2

Isto não é um prognóstico do jogo. É mesmo a realidade, mas em número de mortes.
Até este momento, os adeptos do Benfica já mataram dois adeptos do Sporting.
Espero que os sportinguistas não retaliem e o resultado não se avolume.
Agora a sério:acabem rapidamente com esta gentalha medíocre, antes que esta corja de energúmenos acabe com o futebol. 
Compreendo que é difícil, dados os antecedentes e o "curiculum"mas é altura de LFV se demarcar desta gente.  

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXIII)


Termino esta semana de recordações de música latino-americana de intervenção, com um intérprete português poucas vezes recordado: Luís Cília. 
Escolhi dois temas: Má Reputação (acima) e outra do álbum Marginal que faz parte da minha discografia ( Romance de Lulu do Intendente)




Boa noite e bom fim de semana

Et Vive La France


Ontem à tarde, quando este post começou  a germinar na minha cabeça, estava bastante entusiasmado e optimista em relação às eleições francesas do próximo domingo.
Encarava, então, o facto de haver quatro candidatos em condições de passar à segunda volta, muito mobilizador e  emocionante. Há já muito tempo que não se assiste a uma eleição tão cerrada, sem vencedor à partida e, melhor ainda,  a luta não se reduz a dois candidatos nesta primeira volta. Por outro lado, a ascensão de Melenchon na última semana, permitia equacionar um cenário para a segunda  volta em que, pela primeira vez, algumas sondagens retiravam Le Pen da corrida. 
À noite, a notícia do atentado  no coração de Paris alterou o meu estado de espírito e, pior ainda, poderá ter alterado substancialmente as intenções de voto dos franceses. À partida, a grande beneficiada será Marine  Le Pen o que me leva a equacionar a hipótese  de o acto terrorista ter tido uma mãozinha atrás do arbusto. 
Nunca saberemos em que medida o atentado irá alterar as intenções de voto dos franceses, mas sabemos que Hamon, o candidato oficial do PS, não entra nestas contas. Significará isso o início do fim do PS francês?
No último domingo, os turcos foram às urnas para dizer ao mundo que o caminho mais directo e pacífico para a ditadura, é a democracia. O que mais desejo para o próximo domingo, é que os franceses resgatem a democracia.

Há coisas piores do que apanhar uma bebedeira



Foi há mais de década e meia que pela primeira vez me surpreendi ao ver miúdos no recreio de uma escola dos arredores de Lisboa, exibindo armas. 
Na altura questionei a directora da escola que me respondeu saber o que se passava, mas ser impotente para impedir a entrada dessas armas, por falta de meios. Terá chegado a confrontar alguns pais com a situação, os quais reagiram com indiferença. Um deles terá mesmo dito que tinha sido ele a oferecer a arma ao filho, para que se pudesse defender.
Esta escola ficava num meio muito problemático da margem sul, pelo que admiti ser um caso isolado.
Ao longo dos anos pude constatar que estava enganado. Não só presenciei a mesma situação em várias  escolas, como fui confrontado com o facto de não ser exclusiva de bairros problemáticos.
Como não acredito que  as armas em mãos de miúdos com 14 ou 15 anos  tenham sido compradas por eles, esbocei um sorriso ao ler que os pais "EXIGEM" mais psicólogos nas escolas para prevenir estas e outras situações potencialmente geradoras de actos de violência.
Confesso que tive saudades dos meus tempos de juventude, quando havia métodos bem mais eficazes e baratos para combater a violência nas escolas, mas depois pensei melhor e concluí que estava a ser injusto.
No meu tempo  as crianças viam os pais diariamente e eles assumiam a sua função de educar, não a remetiam para a escola. O que era bom, porque havia poucos psicólogos. Hoje há psicólogos à fartazana  e muitos não encontram emprego. 
Já agora, os psicólogos  podiam também  ensinar os meninos que não é muito bom andar uma semana bêbado quando se tem 15, 16, 17 ou 18 anos. E de caminho aproveitavam para dizer aos paizinhos que deixar miúdos de 13, 1 4 e 15 anos dormir duas ou três  noites ao relento, para "guardar lugar" num concerto, também não é muito aconselhável.
Pronto, admito... sou um psicólogo falhado e à moda antiga. Por isso  acabei jornalista e estou aqui a reconhecer  que há coisas bem piores do que  andar bêbado durante uma semana. Quais? Ir para a escola com uma arma de fogo ou uma faca de ponta e mola, por exemplo.  

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Memórias em vinil ( CXII)


Claro que o Zeca não podia faltar neste evento...

Tens um lugar para mim na tua cama?



Ainda sou do tempo  em que as pessoas se horrorizavam (justamente) com o sistema da “cama quente” praticado com naturalidade na China. Para quem não saiba, a “cama quente” era assim designada porque nela se deitavam, por turnos, dois ou três trabalhadores diariamente. Não tendo dinheiro para pagar o aluguer de uma cama, acordavam dividi-la com um ou dois outros trabalhadores.
Este era apenas um dos casos  apontados  como exemplo do miserabilismo dos regimes comunistas. Vi muitas consciências ocidentais atormentadas com esta prática. Particularmente tugas em Macau, que ocupavam lugares subalternos  na administração pública em Portugal, mas ao fim de poucos meses de estadia no Território, se pavoneavam em carros pretos do governo conduzidos por chineses às vezes com mais habilitações que os pialsróprios.
Não sabiam os tugas, nem muitos ocidentais escandalizados que a “cama quente” ( como outras situações que abordarei noutro dia) era uma prática corrente na Inglaterra da senhora Thatcher e continua a praticar-se em vários outros países, incluindo Portugal.
Nos últimos anos, sob o nome de “economia de partilha”,  tornaram-se florescentes práticas  “inovadoras” anteriormente apontadas como  exemplos de miséria.
No sector da habitação tudo terá começado com o “short renting” e  a partilha de  casa, hoje tornada prática usual, para bem do turismo e das contas bancárias dos senhorios, mas para desgraça da vida nas cidades. Não me refiro, obviamente, ao aluguer de quartos a que alguns proprietários recorrem para completar a parca reforma e  inquilinos usam para  pagar a renda. Essa prática é ancestral, mas hoje em dia não é exclusivo de estudantes ou trabalhadores deslocados.
Na verdade, tornou-se prática corrente alugar quartos em vez de casas, o que permite aos senhorios obter um maior rendimento.
Mais recente é a prática de alugar camas, em vez de quartos. O preço de aluguer de uma cama, em Lisboa, atinge já os 275€/mês. Ora, a partir daqui, as contas são muito fáceis de fazer:s
Um senhorio tem um T4 para arrendar. Na melhor das hipóteses conseguiria arrendá-lo por 2000€/mês mas, se em cada quarto colocar 6 camas ( belichs) 250€, consegue um rendimento de 4 mil e quinhentos  euros mensais  ( o I RELATA CASOS DE QUARTOS COM 8 CAMAS) livres de impostos, porque não passa recibos.
Chamam a isto “ arrendamento partilhado”. Muito moderno. Eu dou-lhe outro nome que não reproduzo. Limito-me a reconhecer que, face à inabilidade de sucessivos governos para fazer uma lei de arrendamento em que   os senhorios deixem de ser “agentes” da segurança social e os inquilinos vítimas de exploração desenfreada, os senhorios  descobriram uma mina de ouro e algumas start ups uma forma de enriquecer à custa dos senhorios.

Face à evolução contínua desta maravilhosa economia de partilha, sou levado a pensar que, não tarda nada, a prática da “cama quente” expandir-se-á inexoravelmente em Portugal. E, já agora, porque não alugar camas à hora, como nos bordéis disfarçados de pensões casas de massagens? Desde que tenha como base o sistema capitalista, onde impera a lei do mais forte e o chico espertismo, ninguém verá problema. Nos países comunistas  essa prática é inadmissível e degradante, porque avilta a condição humana. No neo liberalismo selvagem, dizem que é o mercado a funcionar. Por isso, também não é de desdenhar a hipótese de um novo governo Pafioso vir a  legalizar o arrendamento de contentores e, porque não, a ser um dos primeiros promotores dessa prática.

Overbooking

Umas cenas passadas na "América" e a comunicação social tuga, embasbacada, desatou a falar e escrever sobre overbooking.
Há 20 anos que há legislação nesta matéria, mas a comunicação social trata o assunto como se tivesse acabado de fazer uma grande descoberta.
Como (quase) sempre acontece quando a imprensa segue a moda "Maria Vai Com as Outras", tenho lido por aí muita asneira.
Para que não restem dúvidas e não haja por aí quem pense que pode ser "expulso" de um voo por dá cá aquela palha, fui recuperar excertos de um texto que escrevi sobre o assunto, quando a mais recente legislação foi aprovada.

No caso de chegar a um aeroporto e a companhia lhe disser que não pode embarcar porque o voo está em overbooking ( leia-se: a empresa vendeu mais bilhetes do que os lugares disponíveis) exija que os seus direitos sejam respeitados.
 As transportadoras aéreas são obrigadas a:
- Encontrar voluntários dispostos a desistir das suas reservas em troca de certos benefícios (por exemplo, milhas aéreas, títulos de viagem, dinheiro,direito a bilhetes extra ou a lugares em classe superior noutros voos);
- Oferecer  a opção entre um reembolso total da reserva anterior ou um reencaminhamento;
Durante o tempo de espera terá direito à assistência prevista para os casos de atrasos; 
-No caso de a companhia não encontrar um voluntário que ceda o lugar  e  não puder embarcar terá direito a:
- Voo alternativo ou reembolso do preço total do bilhete;
- Indemnização;
- Assistência em terra durante o período em que aguarda o próximo voo ( refeições, alojamento, etc)


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Memórias em vinil (CXI)


Esta noite deixo-vos com Pablo Milanes e Yolanda
Boa noite!

Salvar as livrarias?



Há por aí uma corrente  ( creio que ainda não chegou ao nível da petição) pedindo que se salvem as livrarias do Chiado.
Compreendo mas parece-me oportuno recordar que não há livrarias sem leitores. Ou melhor... sem gente que compre livros. 
Viajo bastante de metro e algumas vezes de comboio. Faço-o há muitos anos e apercebo-me que há cada vez menos  gente a ler livros durante os percursos. A maioria das pessoas vai agarrada ao smartphone a enviar mensagens ou a jogar, muitas vão grudadas ao telemóvel e são raras as que vão a ler um livro. E dessas poucas, nem todas lêem livros em papel. Noto mesmo que há cada vez mais pessoas a ler livros no formato digital. Logo, gente que não precisou de ir à livraria para os adquirir. 
Eu, consumidor compulsivo de livros, com mais olhos do que barriga ( leia-se sem tempo para ler todos os que vou comprando, ou recebendo de oferta) e que todas as semanas vai a uma livraria, constato que habitualmente estão quase vazias.  Vejo-as a fechar por toda a parte. não é só no Chiado. A única livraria decente  que havia em Cascais ( a Bulhosa, no Cascais Villa) fechou no mês passado. 
Faço rewind e tento lembrar-me da última vez que entrei numa livraria do Chiado. Foi ano passado, em Abril, quando fui ao lançamento do livro da Helena Ferro Gouveia, " Domadora de Camaleões".
Foi num final de tarde soalheiro, na livraria Ferin. 
A Ferin esteve mesmo para fechar. Foi salva ao soar do gongue por outra livraria, a Ler Devagar. Leio que vai ter um bar na cave. Ou seja, procura-se atrair consumidores de livros, oferecendo-lhes um bar. Não tenho nada contra, mas duvido que resulte. É que meia dúzia de metros acima há gente a comprar livros na FNAC mas, subindo a Garrett, encontro a Bertrand e a Sá da Costa às moscas.
Não há volta a dar. Os leitores que ainda compram livros são cada vez menos exigentes nos espaços e nas leituras. Passar umas horas numa livraria, já não é muito comum. Comprá-los, parece ser mais estimulante e mais barato no supermercado, onde abunda a literatura light.
As pessoas hoje em dia querem tudo light. Da Coca Cola ao iogurte, passando pelos filmes, pelas notícias, pelas séries televisivas, as pessoas fogem de tudo o que as obrigue a pensar. Perdeu-se a cultura da exigência. Até nos blogs, onde antes se reflectia, hoje a tendência é simplificar. Textos curtos e de preferência superficiais. E foi assim que  "virou moda" ler resumos dos livros, em vez dos textos originais.
 "É mais fácil, perde-se menos tempo, não temos de ler aqueles rococós todos e percebe-se na mesma a ideia do autor"- justificava há  dias um jovem,  durante uma "tertúlia" promovida por uma associação de estudantes.
As pessoas querem viver num mundo de facilitismo e  fantasia que as distraia da realidade. Nesse mundo talvez existam livrarias, mas dificilmente se encontra literatura. E ainda menos leitores...

Os meninos à volta da cerveja...


Na última semana tive a oportunidade de perceber o erro de interpretação que fizemos relativamente à frase de Dijsselbloem.
Na verdade, vi  centenas de calvinistas ( especialmente alemães) agarrados à cerveja todo o dia, mas muito raros os que se agarravam às mulheres.
Afinal, o que separa os povos do sul dos calvinistas e huguenotes do norte, é "apenas" uma questão de prioridades.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Memórias em vinil (CX)


Tive muita dificuldade em escolher um tema de Mercedes Sosa, porque cada canção desta mulher argentina é uma pérola.
Optei por este Unicornio. Mas não é por ser azul...
Boa Noite

O Beijo da Mulher Aranha



Mentiria se vos dissesse que nunca fui surpreendido pelo inesperado beijo de  uma mulher. Felizmente isso aconteceu algumas vezes. A primeira  vez tinha eu 14 anos e ela 16. Aconteceu no então imaculado areal de Benidorm e os leitores que seguem o CR há mais tempo já sabem o que sucedeu depois: fomos ambos parar à esquadra e os nossos pais tiveram de pagar uma multa por "ofensa à moral pública" protagonizada pelos seus rebentos.
Foi no entanto entre os 30 e 45 anos - idade em que, modéstia à parte, as mulheres me achavam muita piada- que mais vezes fui alvo de inesperadas ( mas quase sempre saborosas) investidas femininas. Escrevo "quase  sempre" porque uma vez houve em que estando com um grupo numa  discoteca,  a curtir um desgosto amoroso, uma senhora tentou "curar-me" fazendo um feroz ataque que culminou com um esplendoroso beijo no meio da pista. A minha reacção foi intempestiva e deixei-a a dançar sozinha, o que me viria a valer o epíteto de "maricas". 
Confesso, com pesar, que errei, estou francamente arrependido e estou há muitos anos a ser castigado. Na verdade já não me recordo da última vez em que fui alvo dessas manifestações arrebatadoras. Há muitos anos que sou obrigado a tomar a iniciativa. 
Hoje poderia estar aqui a celebrar o dia em que os lábios de uma mulher se  voltaram a cruzar com os meus, por iniciativa feminina, não se desse o caso de a cena que vos passo a relatar ter contornos de VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.
 A  cena passou-se há umas semanas quando tive de ir a Lisboa. Ao chegar a casa fui à caixa de correio ver a correspondência e encontrei uma carta  com um remetente inesperado e surpreendente.
Sem pedir autorização, Assunção Cristas violou a minha caixa de correio com propaganda obscena. Começa por me informar que vai candidatar-se à CML - até aqui tudo bem- mas depois promete fazer política PELA POSITIVA. É aqui que começa a pornografia.
 Uma fulana que tudo fez para demitir o ministro das finanças que credibilizou o país, não se coibindo de pedir a violação do artº 34 da CRP; que está constantemente a acusar o governo de não cumprir as suas promessas; que tem a lata de me dizer que  o país deve muito a Paulo Núncio e finge desconhecer as acusações de favorecimento à Mota Engil que impendem sobre Paulo Portas , envia-me uma fotografia e escreve-me uma carta a dizer-me  que quer fazer política PELA POSITIVA?
Isto já era suficiente para a acusar de violência doméstica, mas Assunção Cristas remata a epístola, enviando-me um beijinho.
Ora aqui é que a porca torce o rabo, porque a minha mulher  não conhece a Cristas de lado nenhum e ao ver aquela fotografia e a mensagem do beijinho,  ficou a pensar que eu a ando a trair.
Fique sabendo, D. Cristas, que pode candidatar-se à CML, à Presidência da República ou da Associação Recreativa da Marmeleira, mas não precisa de me avisar, pois estou-me nas tintas. O que não admito é que me ande a invadir a caixa do correio e a mandar beijinhos, provocando com esse atrevimento desavenças familiares. ENTENDIDO? 

A Rede: diz-me com quem andas...


Pedro Correia ( ex -jornalista, reciclado em consultor de comunicação depois de uma passagem pelo gabinete de Miguel Relvas)  e Rodrigo Gonçalves ( ex- autarca considerado como "um dos caciques com mais influência em Lisboa, )  escreveram este livreco com o subtítulo "Um Guia para compreender o sistema político português".
Se era para isso, não precisavam de se incomodar a escrever o livro, nem percorrer o país em sessões de lançamento. Um jornal on line, sem ter necessidade de derrubar árvores,  explica como os "Gonçalves" fazem política. 
Próximo de Passos Coelho, que o colocou em lugar destacado na lista para o Conselho Nacional do PSD, (apesar de ter sido condenado por agressão a um outro dirigente do PSD) Rodrigo é filho de outro Gonçalves que "controla" as Avenidas Novas.
Vale a pena ler o artigo, para se perceber melhor qual é  o conceito de  transparência  de Passos Coelho. E, já agora, para ficar melhor elucidado sobre  a credibilidade de quem escreve Política de A a Z para nos explicar " o sistema político português".  

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Memórias em vinil (CIX)




Não sei se os leitores ainda se recordam deste evento que está a decorrer em Lisboa
Caso não se recordem, sigam o link e perceberão a razão de as Memórias em vinil, esta semana, serem preenchidas com intérpretes "revolucionários".
E começo com uma senhora. Chama-se Violeta Parra, não precisa de apresentações e este tema também não precisa de ser identificado.
Boa noite e uma boa semana.
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Modas perigosas



Entre os muitos movimentos estúpidos gerados por uma cultura democrática assente no primado do"EU", surgiu uma trupe  antivacinação que reclama a liberdade de não vacinar os filhos.
Essa gente, mentalmente diminuída, entende que não sendo os filhos propriedade do Estado, cabe aos pais decidir se vacinam os filhos.
Alguém devia explicar a esses seres antisociais que a liberdade acaba no momento em que põe em perigo os direitos fundamentais da sociedade. 
A DGS reconhece haver uma epidemia de sarampo em Portugal, provocada por falta de vacinação. Segundo Francisco George não haverá razões para alarme, porque a quase totalidade da população portuguesa ( mais de 98%) foi vacinada, já que nasceu num tempo em que a vacinação era obrigatória e os paizinhos ainda não tinham estupidificado com as modas que lhes chegam da estranja via redes sociais.
Por razões de saúde pública sou favorável à vacinação obrigatória, para evitar novos surtos epidémicos, como acontece nos EUA  desde 2014
Mas vou mais longe: os pais que se recusem a vacinar os filhos devem ser responsabilizados criminalmente, por estarem a pôr em perigo a vida dos filhos, ser privados de benefícios fiscais e impedidos de aceder ao Serviço Nacional de Saúde. 
Chamem-me radical, fascista, ditador, ou mesmo parvo se  quiserem, mas tenho direito a exigir não  pagar a irresponsabilidade de uns quantos que se julgam muito modernaços
E, já agora, as pessoas que vão para a rádio dizer que a  epidemia é culpa dos refugiados deviam ser internados em campos de reeducação, até aprenderem a ser civilizados.

A legítima aspiração encarnada

Compreendo perfeitamente a euforia dos benfiquistas após o empate do FC do Porto em Braga. É a  primeira vez que ganham o tetra no seu historial, feito que adeptos de FC do Porto e Sporting  já celebraram há muito. Quanto aos portistas até já celebraram um penta campeonato, facto inédito em Portugal.
A euforia justifica-se, também, porque há mais de 50 anos que o Benfica não ganha nenhum título além  fronteiras. Foi há tanto tempo que os encarnados venceram a Taça dos Campeões Europeus, que a  maioria dos adeptos benfiquistas nunca celebrou, pelo que não sabem o gosto que isso tem.
 Essas duas míticas Taças Europeias que o Benfica venceu no início dos anos 60 são uma lenda que os  seus adeptos querem  tornar real. É legítimo.
Eu, que já vi o FC do Porto levantar por duas vezes a Taça que premeia o melhor clube europeu ( uma delas neste século), vi o meu clube erguer  uma Taça UEFA, uma Liga Europa e duas Taças Intercontinentais, compreendo bem a ansiedade dos adeptos benfiquistas.
A euforia pela conquista do tetra é, por isso, muito compreensível. Pessoalmente ainda vibro com os inúmeros títulos nacionais e internacionais conquistados nos últimos 20 anos. Fazem parte da minha vivência, não são histórias que ouvi contar a pais e avós.  Por isso, comemorar um tetra não me levaria a sair à rua. E muito menos a apoucar os adversários que os conquistem. 
Compreendo a euforia dos benfiquistas, porque muitos deles sabem que se não fosse este ano, provavelmente nunca mais teriam oportunidade de comemorar a conquista de um tetra durante a sua vida. 
Admito, por isso, que no próximo ano  queiram conquistar o penta. E, num futuro próximo, que aspirem a comemorar, finalmente, a conquista de uma Liga dos Campeões, que nunca conseguiram trazer para a Luz. São aspirações legítimas. Eu também as tive e, felizmente, já pude saborear e celebrar tudo aquilo que os adeptos benfiquistas ainda anseiam conquistar. 
Estou, por isso, de barriguinha cheia.