sexta-feira, 24 de março de 2017

Memórias em vinil (90)


Ainda se lembram destes espanholitos?
Boa noite!
Cá vos espero amanhã para o Chazinho semanal.

The Go-Between




Só uma vez escrevi aqui sobre Julian Assange. Foi para esclarecer os leitores que desconfiava das suas motivações. Condenei a actuação do governo inglês em relação ao Equador, por ser uma prepotência, mas sempre considerei Assange um fascista e nunca um democrata que quisesse desmascarar quaisquer desvios das democracias.
As investigações do FBI e as  últimas revelações sobre a influência da Rússia nas eleições americanas  tiraram-me quaisquer dúvidas. 
Resta agora saber quais as ligações entre Assange e Snowden e qual o papel deste ao serviço de Putin.

Sexagenária, mas nada sexy


Amanhã assinala-se o 60º aniversário do Tratado de Roma, fundador da União Europeia. Muito provavelmente iremos assistir a muitas celebrações nos gabinetes, mas muitas críticas nas manifestações populares.
  Os leitores que me acompanham sabem o que penso: sou adepto da UE, mas não lhe auguro grande futuro. A falta de solidariedade e a crescente hostilidade dos países do norte, em relação aos do sul, está a matar o projecto europeu. Acreditar que a Europa  pode manter-se solidária caminhando a várias velocidades é tão utópico como acreditar que o fim da UE e do Euro se pode fazer sem um conflito de grandes proporções. Acresce que a  Europa está doente e não falta quem deseje a sua morte. O crescimento do populismo e da extrema direita são prova disso.
Na semana passada, o professor Timothy Garton Ash escreveu um artigo no Financial Times, onde fazia o diagnóstico dos males que afectam a Europa:
" O mais recente exame médico revela que uma mão tem de ser amputada (gangraena brexitosa) um pé está terrivelmente inflamado ( putanismo ukrainico) uma doença de pele alastrou a várias partes do corpo e está a provocar perigosas reacções alérgicas (xenophobia populistica) uma úlcera está a corroer-lhe o estômago ( eurozonitis) além de padecer de logorreia e perda de memória".
O diagnóstico é  assertivo e preocupante. No entanto, estão a fazer-se  muitos estudos e testes a um medicamento que poderá curar a Europa. Sobre isso, escreverei na segunda-feira. 
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Isto é uma vergonha!



Lamento voltar ao tema da justiça, mas  o livro de Sofia Pinto Coelho  sobre erros judiciais que levaram para a prisão inocentes (Condenados: a justiça também pode errar) em alguns casos por mera negligência dos agentes da justiça, noutros por teimosia e arrogância,  fez crescer ainda mais, dentro de mim, um sentimento de revolta face à impotência para lutar contra as injustiças de que a Justiça (quase) diariamente dá provas.
Preocupa-me a impunidade dos juizes, revolta-me a justiça selectiva, a indiferença com que se deixam prescrever prazos nuns casos e a celeridade com que se prende e acusa noutros. 
Já o escrevi várias vezes: a justiça em Portugal é uma roleta russa e quem tiver o azar de ser apanhado na sua perversa teia corre sérios riscos de ficar para sempre refém das suas contradições, vinganças e prepotências.
Não conheço os contornos deste caso mas - a ser verdade- é demasiado grave e envergonho-me com o silêncio da comunicação social e a indiferença das redes sociais. 
Uma justiça que manda para a prisão, durante 3 anos, uma cidadã por delito de opinião, mas frequentemente mostra a sua condescendência  com os autores de violência doméstica e nunca conseguiu prender um corrupto ( quando o fez não conseguiu encontrar provas ou "deixou" prescrever os prazos ) tem de levantar dúvidas nos cidadãos.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Memórias em vinil (89)


Palavras para quê? É  com "I wish you were here" (Pink Floyd) que vos dou as boas noites hoje.  Tenham bons sonhos!

Noor e a Felicidade

NOOR é uma jovem iraquiana que conheci aqui no Estoril no início do ano. 
No dia em que a conheci, explicou-me  que o seu nome  significa LUZ. Respondi-lhe que tinha uma prima que também se chamava LUZ e vi estampado no seu rosto uma alegria imensa, como se essa circunstância fosse um qualquer sinal que determinara o nosso relacionamento fortuito
 De uma simpatia ímpar  a Noor é, além de bonita,  muito comunicativa e conversadora. À segunda  conversa já sabia  que tinha nascido em Portugal, onde morava e  a razão da vinda dos pais para Portugal.
Há dias contei-lhe a minha paixão pela América Latina e em especial Argentina e ela respondeu-me:
- Compreendo que goste desses países. São países menos desenvolvidos, onde as pessoas dão mais valor às coisas e são mais felizes.
Concordei.
Hoje lembrei-lhe que há dias se tinha comemorado o Dia Internacional da Felicidade e que a ONU  elaborara um ranking dos países mais felizes do mundo.
Ela não sabia de uma coisa nem de outra, desvalorizou ambas e perguntou-me qual era o país mais feliz do mundo
Quando lhe disse que era a Noruega, ficou calada por uns momentos e perguntou-me: 
- Como é que as pessoas podem ser felizes sem sol?
Lembrei-lhe a conversa que tivéramos há umas semanas sobre a felicidade e acrescentei:
- Como os noruegueses não sabem o que é o sol nem a praia, não sentem a falta. Depois, contei-lhe a história de uma sueca, casada com um meu homólogo do PNUD. Viviam aqui no Estoril, mas ela estava horrorizada com a obsessão dos portugueses pela praia. Chegou mesmo a dizer que éramos um povo primitivo e ignorante, porque nos estendíamos ao sol "o ano inteiro" sem  cuidar das consequências para a saúde. Ainda hoje recordo o seu ar reprovador, quando um dia fomos ao Algarve e os levei a conhecer algumas praias. Foi durante uns feriados de Junho e as praias estavam a abarrotar. De portugueses, mas também de turistas. Muitos deles nórdicos. 
Inabalável, ela insistia:
- É de uma irresponsabilidade e de uma ignorância deprimente! 
Foi então que lhe respondi: 
- Somos ignorantes, mas somos felizes
A NOOR riu-se com a minha resposta  e  perguntou em que lugar estava Portugal nesse ranking.
89º- respondi
O quê? Há 88 países mais felizes do que Portugal? Não é possível. E o Iraque, em que lugar está?
- 117º, se não me engano
Encolheu os ombros e respondeu:
- Pois, a Felicidade é muito subjectiva. Não consigo perceber como é que se consegue medir.
Eu também não, NOOR, mas os tipos que fazem estes rankings devem andar felizes por terem trabalho e por pensarem que são úteis ao mundo. 
Mas devem ter uma técnica qualquer, não estabelecem o ranking à sorte...
Pois não, NOOR. Fazem  uma única pergunta a mil pessoas em mais de 150 países:

"Imagine uma escada, com degraus numerados de zero na base e dez no topo.O topo da escada representa a melhor vida possível e a base  a pior vida possível. Em que degrau você acredita que está?"
O resultado médio é a nota do país - que, neste ano, variou de 7.54 (Noruega) a 2.69 (República Centro-Africana).
NOOR sorriu uma vez mais e disse em tom irónico:
- Muito científico, sem dúvida. Vou medir o grau de felicidade da minha família. Palpita-me que devemos andar entre os 9 e os 10, porque todos nos sentimos muito  felizes por viver em Portugal e estarmos longe da guerra. Até eu e a minha irmã, que nascemos em Portugal e nunca fomos aos Iraque sentimos que somos mais felizes aqui.

Adenda:(O relatório também analisa as estatísticas para explicar por que um país é mais feliz do que o outro.
Entre os dados observados, estão o desempenho da economia (medido pelo PIB per capita), apoio social, expectativa de vida, liberdade de escolha, generosidade e percepção de corrupção.

Um homem sem qualidades




Cada dia que passa, Cavaco tona-se um ser mais desprezível.
Cada vez que abre a boca exala um cheiro a podridão.
Cada vez que dá uma entrevista para promover o seu livro, enterra-se mais e mais no lodaçal do "Vamos Contar Mentiras".
A última entrevista ao Público é simplesmente asquerosa.
Na impossibilidade de a reproduzir, encaminho-vos para este texto muito esclarecedor, de um jornalista insuspeito de ser de esquerda...

quarta-feira, 22 de março de 2017

Memórias em vinil (88)


Porque hoje se assinalou o Dia Mundial da Água, mas também pelo tema que abordei no post anterior, hoje deixo-vos com esta canção dos Delfins ( Não faz parte da minha discoteca, mas faz parte das minhas memórias).
Boa noite!

Sou como um rio


Rio Whanganui (Nova Zelândia)

A Nova Zelândia não é apenas um país belíssimo. (Dos mais belos que já visitei) É também um país onde as pessoas respeitam a Natureza.
Hoje, Dia Mundial da Água, trago-vos um exemplo do que acabo de escrever. Há precisamente uma semana, no Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, o Parlamento neo-zelandês reconheceu a personalidade jurídica ao rio Whanganui, que assim se torna o primeiro curso de água a ter, legalmente, os mesmos direitos dos seres humanos.
Com este reconhecimento, o governo materializa uma aspiração do povo Maori, que remonta ao século XIX.
A muita gente parecerá estranho que um rio tenha personalidade jurídica e direitos que poderão ser defendidos em tribunal. Lembro que há duas décadas ninguém  pensava ser possível que os animais fossem considerados seres vivos com  protecção jurídica, mas vários países já fizeram esse reconhecimento, entre os quais Portugal, onde a nova lei entra em vigor no dia 1 de Maio.
Se nos lembrarmos como os rios são importantes na vida das pessoas e como influenciaram diversas civilizações ao longo da História, compreenderemos melhor a pretensão do povo Maori agora reconhecida pelo governo da Nova Zelândia.
Neste Dia Mundial da Água- o ouro do século XXI que irá desencadear várias guerras nas próximas décadas- pareceu-me oportuno sublinhar este tributo a um curso de água venerado por um povo que durante mais de um século lutou para consagrar os seus direitos.
Não é uma bizarria. É apenas um primeiro passo para o reconhecimento da importância dos recursos naturais. É que sem água, meus caros amigos, não há vida e é bom que alguém nos lembre isso.

Caderneta de cromos (58)




Ficamos tão indignados com um cabresto holandês que deve apreciar rapazinhos e gosta de  fumar coisas esquisitas, que até nos esquecemos deste cromo tuga.
Constâncio, o homem que à frente do BdP não viu nada de anormal no BPN, encolheu os ombros a avisos de organismos do Estado que o alertavam para a bomba prestes a rebentar no banco de Oliveira e Costa e  meses antes do estouro financeiro mundial de 2007 considerava o nível de endividamento dos portugueses perfeitamente aceitável, vem agora defender a aplicação de sanções contra Portugal.
É por causa de pulhas como Constâncio, que sempre desconfiei do Partido Socialista. Há por lá muitos infiltrados que apenas querem tratar da vidinha e utilizam o partido para se promoverem.
Percebi que Constâncio era um deles em 1985, mas nunca pensei que um dia viesse a justificar o epíteto de TRAIDOR.
Vai para a caderneta de cromos, mas entra pela porta dos fundos, reservada aos merdosos. 

EM TEMPO: Afinal Vitor Constâncio nada terá tido a ver com a proposta do BCE, pelo que apresento as minhas desculpas ao visado e aos leitores por este lapso veiculado pela comunicação social, com base num COMUNICADO enviado às redacções pela Casa Civil da PR. 
Alguém meteu o pé na argola no Palácio de Belém

Fuck you, mr Dijsselbloem!



Este aborto  holandês,  presidente do Eurogrupo,   disse numa entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine, que os povos do sul da Europa  gastam o dinheiro todo " em  copos e mulheres".
À primeira vista parece surpreendente  que o ministro das finanças do Red Light District, uma das maiores casas de putas da Europa, faça uma acusação destas para explicar porque não se deve emprestar dinheiro aos países do sul.
No entanto tem toda a lógica. Depois de o seu partido ter sido cilindrado nas eleições holandesas, o lugar deste calvinista à frente do Eurogrupo está em risco. Daí, nada melhor do que dar uma entrevista a um jornal alemão de modo a cair nas boas graças do fascista alemão Schaueble.
No entanto, salvo se dê o caso de o holandês preferir gastar o dinheiro a "abafar a palhinha", devia ter escolhido um melhor exemplo. Até porque vivendo numa das maiores casas de putas da Europa, tem grandes probabilidades de ser um  filho da puta. 

terça-feira, 21 de março de 2017

Memórias em vinil (87)


Joni, uma das irmãs Sledge deixou-nos a semana passada.
Começaram por ser 4 irmãs ( em 1971) e assim se mantiveram até 1989, quando Katty abandonou a banda para seguir uma carreira a solo.
Com a morte de Joni,  as Sisters Sledge passam a ser apenas duas ( Debbie e Kim), mas ambas asseguraram que  o grupo vai continuar, agora como dueto.
Em memória de Joni aqui fica o maior sucesso de sempre das Sisters Sledge: "We are Family" (1979)

Querem mesmo saber?




A CGD vai encerrar entre 150 a 200 balcões. "Imposição de Bruxelas", dizem eles. 
Nem vou dissertar sobre a ignorância de quem decide em Bruxelas sobre o que é melhor para o banco público português. Isso implicaria que os decisores eurocratas conhecessem a realidade portuguesa e decidissem de acordo com ela, em vez de mandarem bitaites a partir dos seus gabinetes com base em folhas de cálculo. Não vou por aí. Atenho-me ao que se passa por cá, para  responder a uma pergunta que nos últimos dias  tem sido formulada à exaustão por portugueses  que deveriam conhecer o país: quem é que hoje ainda vai a um balcão?
Na maioria dos casos,  a pergunta tem sido feita por portugueses com assento nos programas de televisão e nas colunas opinativas da  imprensa, num tom que prenuncia resposta à Frei Luís de Sousa: (Quase) Ninguém.
Cumpre-me informar esses ilustres cidadãos portugueses que no interior do país só conhecem os hotéis de luxo onde se hospedam alguns  fins de semana por ano para poderem dizer que visitam o país que estão muito enganados e têm memória fraca. Se a tivessem saudável lembrar-se-iam, por exemplo, dos protestos da população de Abrantes  contra o encerramento da CGD. Foi só há um ano, meus caros desmemoriados!
Tenho ainda a penosa missão de lhes lembrar que desconhecem o que é a desertificação do interior e nem imaginam que haja gente a viver em locais sem acesso a qualquer serviço público, num raio de 50 ou mais quilómetros, como se estivessem no século XIX. E é gente que paga impostos, porque deles não sabe fugir, como alguns opinadores da nossa praça.
Descansem, no entanto, os entusiastas das medidas economicistas que estão a corroer a sociedade e a transformar os seres humanos em meras peças de um  tabuleiro de monopólio, porque não vou invocar o argumento dos velhinhos isolados em locais recônditos, para defender a existência de um balcão que atende cinco clientes duas vezes por ano. 
O exemplo que vou apresentar para responder à pergunta tantas vezes formulada nos últimos dias pelos adeptos do economês e  da modernidade tecnológica fica mesmo em Lisboa, outrora capital do Império e hoje cidade subalterna da UE, visitada por milhões de turistas embevecidos com tanto tipicismo ancestral.
Recomendo aos comentadores, analistas, colunistas e opinadores que visitem o balcão da CGD no Lumiar e se espantem com o movimento diário e as filas que por lá se formam em alguns dias do mês. Talvez depois deixem de fazer perguntas estúpidas e percebam que o país que eles conhecem não é o mesmo de que falam nas suas intervenções públicas.

Uma mulher de causas



Pedro Passos Coelho escolheu Teresa Leal Coelho para candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa.
A ex guarda redes de andebol do Benfica tem, como principais atributos, ser muito apreciada por Passos Coelho, ter sido nº2 de Vale e Azevedo na direcção benfiquista, ser mal educada ( mas isso, no PSD actual é a regra)  e ser uma vereadora extremamente dedicada a Lisboa.
O seu empenho e compromisso com Lisboa é tal, que em Setembro pediu para que as reuniões dos vereadores com o presidente da câmara passassem a ser às quintas-feiras, para poder estar presente. O pedido foi aceite. Desde então realizaram-se 27 reuniões e Teresa Leal Coelho compareceu a CINCO!
Antes da alteração tinham sido realizadas 153 reuniões, mas em 91 delas Teresa Leal Coelho não compareceu.
Uma candidata à medida do PSD, sem dúvida.
Num país com população minimamente interessada na vida política e na cidadania, Teresa Leal Coelho nem sequer se candidataria, mas em Portugal as pessoas votam com fervor clubista, pelo que não me espanta se ela tiver um resultado aceitável.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Memórias em vinil (86)



Memórias do grande Chuck Berry que nos deixou este fim de semana.
Boa noite!

Felicidade é...

Felicidade é acordar todos os dias e poder dizer estou vivo.



Felicidade é tomar o pequeno almoço na varanda enquanto desfruto a paisagem que me envolve. 



Felicidade, enfim, é chegar ao fim do dia e poder registar o momento em que a avó brinca com a neta na praia
Que TODOS os dias sejam Dias da Felicidade nas vossas vidas.
E quando vos disserem que não devem regressar ao lugar onde já foram felizes, não acreditem. Eu estou aqui para o desmentir 


Obsessões

Com tanto adiamento e tanta fuga de informação para a comunicação social, a justiça já conseguiu um dos seus objectivos: a  condenação de Sócrates pela opinião pública. A mesma que noutros tempos condenou Carlos Cruz. 
Não me custa nada acreditar que Sócrates seja culpado, mas custa-me muito aceitar uma justiça que desrespeita os direitos fundamentais das pessoas.
Prender um homem ( chame-se Sócrates, ou Zé dos Anzóis) e mais de dois anos depois não conseguir provar nada e andar a bufar para os jornais para o incriminar não é justiça. É PERVERSÃO, FARSA, VINGANÇA ou o que quiserem. NUNCA SERÁ JUSTIÇA!
O que está em causa é a Democracia e, como diz João Nabais no vídeo abaixo, quem não se revoltar com isto devia ter vergonha na  cara.
Já agora- acrescento eu- merecia passar por uma situação idêntica para ver como é bom e aprender a respeitar o próximo.
E não me venham com a treta da dificuldade em fazer prova dos factos. Se é difícil, essa é mais uma razão para ser cauteloso e não prender arbitrariamente uma pessoa.






domingo, 19 de março de 2017

Dia do Postal Ilustrado (45)


Em 1963 fiz a minha primeira grande viagem de automóvel pela Europa. Foi a primeira vez que passei para lá dos Pirinéus. Assim que entrei em França, comprei este postal que guardei como testemunho do meu baptismo europeu. Tinha 13 anos e foi uma viagem memorável, da qual os leitores mais antigos do CR conhecem algumas peripécias.

sábado, 18 de março de 2017

Chazinhos da Paróquia (9)



Amanhã é Dia do Pai e não recomendo nenhum passeio específico. Quando muito, sugiro àqueles que ainda têm Pai que desfrutem de bons momentos na sua companhia e aproveitem para aprender com eles.
Para os que são pais, sugiro que aproveitem o dia para aprender com os filhos, pois eles têm muitas coisas para ensinar aos mais velhos.
Para quem já não tem pai e sente saudades dele, atrevo-me a recomendar que procurem estar perto dele. Como? Indo a locais que ele gostava. 

O meu, por exemplo, adorava Pousadas em locais bucólicos e vistas desafogadas. Não se limitava a escolher a Pousada, assinalava também o número do quarto cuja vista mais lhe agradava e pedia-o no momento de fazer a reserva.Lembro-me de ele alterar os planos de fim de semana e ir para outra Pousada, se o quarto que pretendia já não estivesse disponível.
Não tenho a certeza se ele chegou a ficar alguma vez na Pousada de Belmonte, mas não tenho dúvidas de que teria gostado desta vista. E deliciar-se- ia com o restaurante, especialmente se fosse em época de caça.
Outra hipótese de estar mais perto do Pai que já partiu, neste dia, é ouvir a música que ele mais gostava O meu Pai, apesar de ser da terra do samba, adorava este género.
Finalmente, se é um filho já crescido, porque não convida o seu pai a ir a um daqueles locais que ele frequentava quando tinha a sua idade?
Se vive em Lisboa, leve-o ao Bairro Alto, por exemplo, para conhecer o Cheers (Aquele Bar) que outrora foi o famosíssimo Frágil que ele deve ter frequentado se tem mais de 55 anos.
Para quem vive no Porto, uma ida ao Twins, no Passeio Alegre, parece-me uma boa sugestão. Embora já não seja discoteca, pode lá comer uns petiscos e beber um copo.
Antes ou depois também podem ir juntos ao cinema.
Um filme que me parece muito apropriado para proporcionar uma boa conversa é NERUDA. Um filme sobre o escritor chileno Prémio Nobel, durante um período  menos conhecido da sua vida. Imperdível
Finalmente, como presente, deixo a proposta de um livro:

Condenados: a justiça também pode errar ( Sofia Pinto Coelho) é um livro sobre 10 casos em que a Justiça errou, condenando inocentes.
 O caso de um homem  condenado a 12 anos por um crime que não cometeu e outra pessoa assumiu, é um dos mais revoltantes, porque a justiça simplesmente se marimbou para as declarações do autor confesse. 
Sofia Pinto Coelho relata outros casos de sentenças  proferidas com base em suspeitas e pistas não confirmadas. Bastaria um pouco mais de rigor e exigência,, para que inocentes não fossem condenados.
Mas, mais do que os erros relatados o que dói é a impunidade dos juízes e a recusa em admitirem a culpa  dos  erros que cometeram. Um livro de horrores que devia ser obrigatório para qualquer iniciado no estudo do Direito.
E pronto, por esta semana é tudo. Votos de um bom fim de semana e um excelente Dia do Pai.